segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Iluminai








Imagem Google






Iluminai meus sonhos na noite,
Lua Cheia em visita graciosa,
Livrai-me da saudade de açoite,
Para uma longa noite gloriosa,
 
Iluminai os desejos de minh’alma,
Na bela luz que aclara meu dia.
Perpetuai em cada canto da casa,
Com a divina luz que irradia.

Iluminai os cabelos da amada,
Como da estrela cadente exibida,
Na irradiante face ora dourada,
É como recrio a minha querida.

Iluminai todos meus caminhos,
Coloridos raios com luz incidente.
Extirpai deles todos os espinhos
Para a minha travessia silente.

 Toninho.

Permanecências

Procuro ser simples com os meus medos:
chego de manso como quem serve
água fresca aos amigos
e permaneço.
Se viajo, carrego comigo
valise, netos, cachorro
soltos os cabelos, o sorriso ambíguo
e permaneço.
Se fico,
entro na casa mais próxima
sento em todas as cadeiras
provo do tacho mais doce
e permaneço.
Permanecer é abrir janelas
como quem pinta
manhãs de sol para os filhos
falar do curso dos dias sem temor
do cheiro das mangas
do doce das romãs
saborear cada sílaba em minha boca
_ seu gosto de jasmim.
Faz tempo a concretude da pedra
condenou-me à busca do metro e do ritmo.
Mas a fluidez das horas
mas esse sol vagante sobre as verbenas
mas esse rio...
Só assim penso poder com a ternura
e permanecer em mim.

Rosane Ramos (17/09/2012)


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A linguagem poética

A linguagem poética


“Compreendi que a poesia está nas palavras, se faz com palavras e não com idéias e sentimentos, muito embora, bem entendido, seja pela força do sentimento ou pela tensão do espírito que acodem ao poeta as combinações de palavras onde há carga de poesia”.
Manuel Bandeira, ‘Itinerário de Pasárgada, in Poesia completa e prosa, p.40.


“O poema é transitivo. Precisa do outro. Dos outros. O ato de ler criadoramente é insubstituível. Ler é realmente reescrever. Leitura é co-criação: desvenda dimensões do texto, descobre relações, realiza possibilidades. Os olhos do leitor fazem novos caminhos com o poema. Travessias que não se repetem. E que, muitas vezes, não estavam previstas pelo poeta. Assim, a leitura é também invenção”. Roland Barthes


Crie você também uma poesia com base numa palavra que adquira no seu texto um sentido sugestivo.

Para isso, pense primeiro na emoção que você pretende comunicar: dor, saudade, amor, carinho, sonho, frustração, desilusão, medo, alegria, etc.. A seguir, procure encontrar uma palavra - chave que possa sugerir essa emoção.


Cultura Votorantim- 01/08 - OFICINA DE LITERATURA -         Sueli Aduan

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Aos meus queridos:


Como dizia, brilhantemente, o Haroldo de Campos, "fazer poesia não é um meio de vida, mas um modo de vida".

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Por quais portas se chega ao inferno

Patife estava sozinho agora. Os parceiros da pelada já tinham seguido cada um numa direção. Paçoca e Lorinho iam juntos para o ensaio da banda de todas as terças. Pinho, o piadista, ia pra escola, e Bundinha, pra igreja. Nanão, seu chapa, ainda ficou um pouco, mas depois pegou rumo, cabeça baixa. Tinham tomado uma levada de cinco a zero pruns carinhas da rua de cima. Um bando de filhos da puta, isso sim! Ele também tinha de ir pra escola, se é que ia ter aula. Era bem capaz de faltar algum professor, como sempre, mas ele não ia ficar rolando tempo no pátio, não. Ia era dar um jeito de sair no intervalo e dar uma passada na Vi, Victória, ela retrucava quando a chamavam de Vi, e com ênfase no cê, pra se fazer de importante. Besta, mas gostosinha que ela só. A droga é que no próximo ano já ia fazer dezoito, servir exército, arrumar um trampo, essas coisas de adulto, e ainda estava no primeiro ano. Ainda lembrava do aniversário de dezessete, quando o tio falou que ele já era um homem e tava na hora de começar a pensar na vida. Até ganhou um canivete de presente, escondido da mãe, é claro. Era bem capaz de ficar encerando o banco com a bunda, só pra esperar a diretora dizer que o professor não vem. Mas se tomar bomba de novo, a mãe vai ter um treco. O que é que você está pensando da vida, Marcelo? Vai querer comer capim a vida inteira? Você não toma jeito, peste? E patati e patatá, já estava até ouvindo. Melhor ficar na escola até às dez. A Vi estava linda de shortinho e camiseta. Ela era a única, além de minha mãe, que não me chamava de Patife. Meu nome é Marcelo Pastife, filho e neto de algumas gerações de italianos e mulatas, daí o apelido pouco lisonjeiro, mas eu não ligava que os amigos me chamassem assim. A merda fedia era quando um panaca qualquer, que eu nunca tinha visto na vida, resolvia zoar com meu nome. Ela estava lá, com as amigas, rindo de alguma coisa. Se fosse outro dia, ele se aproximaria com alguma história engraçada, uma piada, e se deixaria ficar, até que as amigas se dispersassem, para depois dar uns amassos na Vi, mas hoje não, hoje o bicho pegou feio e ele nem sabia como ia voltar pra casa.

 Ficou sentado no banco da pracinha até tarde, olhando as meninas sem ver, só pensando naquele desgraçado. O nariz estava sangrando, mas isso era normal, toda vez que ficava nervoso o nariz sangrava uma cachoeira. Sabia se desviar de golpes, nenhum metido ia tirar sangue dele, não. O estômago estava dolorido e a canela, mas era só. Também tinha perdido a mochila e a blusa estava rasgada. Se não fosse tão tarde podia passar no Nanão e pegar uma blusa com ele. A mãe sempre saía de noite, mas para azar dele ela hoje estava em casa. Passou lá, viu tudo aceso, a TV ligada. Não, não dava pra ir pra casa, o jeito era dormir pela rua e de manhã pensar no que ia fazer. Se tivesse que ficar morando na rua, melhor. Tudo por causa daquele filho da puta! Tava quieto, esquentando banco no pátio, quando começou a palhaçada. O camaradinha novo começou a zoar com duas garotas do segundo ano, o Jonathan se esquentou e chamou o carinha pra briga, veio coordenador, servente, tudo pra apartar, o Jojo tava muito machucado, mas o figura queria mais, tava com o diabo no corpo. Então ele se virou pra mim e disse: e aí Patife, vai bancar o tímido? Não tá a fim de pegar o papai aqui? O sangue ferveu, mas o inspetor tava de olho. Eu levantei e disse baixo, só pro cretino ouvir: a gente se vê lá fora. O sinal bateu, eu procurei pelo idiota, mas ele não tava em lugar nenhum. Peguei minhas coisas e fui andando em direção à praçinha. Foi a desgraça! Ia distraído, pensando na boquinha cheirosa da Vi, quando tomei um tranco por trás. E voa soco, voa mochila, pernada, chute na canela, murro no olho, porrada na barriga, patife!, patife!, escuto a zoação, puxo o canivete e enterro na garganta do miserável, e ainda dou uma forçada, de tanto ódio. O dia amanheceu escuro, pesado, talvez pelas nuvens que anunciavam chuva grossa. O burburinho dos desabrigados era grande. Mulheres lavando-se no chafariz, crianças remelentas chorando, provavelmente de fome, homens discutindo pelo resto de pinga de uma garrafa. Quando acordou, todo moído das pancadas e angústia, Patife já não era mais um menino, mas um homem destituído de esperança em face da solidão.

Rosane Ramos

domingo, 26 de agosto de 2012

À queima roupa



Nesse momento olho-a fixamente. Alheia a tudo  ela não se dá conta, não me vê,  não enxerga. É como se uma nuvem de fumaça existisse nessa ousada troca de rápidos olhares. Contraio os lábios num quase sorriso, e sutilmente escondo a imensa necessidade de perguntar-lhe: — Como vai?  De falar-lhe  A lua está tão linda. 

Seu olhar perplexo me confunde. Desisto. Amanhã, talvez. Um outro olhar mais demorado, uma piscadinha, uma cumplicidade ou até, quem sabe, um sorriso mais largo, frouxo, debochado. Por que não? E eu vestida de coragem à queima roupa, pergunte-lhe:
— O porque de tanta distância. E feito criança mostre-lhe uma borboleta. 

E ela cheia de vida: — Linda, é azul. Voou. Mas é só uma possibilidade. Nem um som sai de sua boca. Silêncio absoluto. Com o olhar marejado de lágrimas olhamo-nos fixamente. Nesse momento uma infinita vontade de passar-lhe a mão pelos cabelos. Niná-la. Mas não. Então, abro lentamente a gaveta e guardo, mais uma vez, o espelho.


sábado, 25 de agosto de 2012

A espera




Encontro

Estou te esperando na mini rodoviária. Liguei para dizer que cheguei. A recepcionista disse que você tinha acabado de sair. Pensei: esta vindo. Enquanto isso fui até a lanchonete do lado. Aquela em que dá última vez tirei várias fotos sua em um quadro e depois em um antigo álbum que a atendente no inicio,  mal humorada nos deu. Em uma dessas fotos você é o mesmo homem que vi em uma noite subindo as escadas que levam até a entrada da minha casa. O mesmo jovem a mesma energia. Isso me faz ter certeza que o corpo envelhece e o espirito não.
As horas passam... Enquanto isso peço um café. Meu coração bate mais rápido. Estou ansiosa...
Você entrou e eu disse:
- Pensei que não vinha mais  
Enquanto te abraçava e beijava você pegou a mala e eu te segui até o carro. No hotel fui em direção a janela, fechei-a, corri as cortinas, pendurei minha jaqueta no biombo e depois com as mãos estendidas, para não tropeçar nas cadeiras, o coração palpitante, procurei-o e o encontrei. Foi uma longa viagem, os lábios úmidos e um beijo sem fim.

Foram horas de loucuras até nos invadir uma deliciosa lassidão e então dormi em seus braços... E sonhei
Abri os olhos... O sol se pondo vermelho, magnifico, entrando todo pela janela aberta, olhando-me da beira do horizonte, iluminando com sua luz o leito onde uma mulher o amou com ardor.

Foi um raio de luz. Como esse agora que se vai enquanto espero

Mlailin
 

Equilíbrio

Estava eu em uma sala de espera...esperando!
Para passar o tempo, fiquei a observar as pessoas que iam e vinham, nervosas, calmas, desesperadas...
Comecei então, a meditar sobre como todos somos diferentes, conservadoras demais, abertas demais.
Como pode haver algúem que vive dopado de adrenalina, com seus esportes radicais, e também, os que sofrem de Síndrme do Pânico.
Pessoas essas que pulam quilometros de para-quedas, enquanto outras não passam do solário da porta. E pensei também nos vários motivos para serem como são... na inúmeras razões que nos "fazem" .Temos tantos motivos para sermos o que somos...
Umas fundamentalistas religiosas, outras ateus convictos, madres Tereza e Hitlers por aí!
Como então afirmar o que é loucura e sanidade...quem é o louco? e o são?
E cheguei a conclusão, na minha espera e meditação que o importante é o equilíbrio, afinal, de médico e louco todos temos um pouco.
E, foi assim que pensando na loucura, mantive a sanidade, fui chamado para reconhecer o corpo de um amigo no necrótério... morreu fazendo loucura..ou não, pois amava nadar e se afogou.

Carina.

Qual é o limite entre a loucura e a lucidez?














Policarpo (56) é um cidadão comum bem educado e calmo. Habilidoso encanador e presta pequenos serviços de outras áreas no condomínio, sempre com preços abaixo das empresas prestadoras. Todos gostam de Policarpo, pois ele sempre socorre as pessoas, daqueles chatos problemas domésticos de fim de semana. Atua sempre com bom humor, diz que seu nome é trabalho, por isso mesmo não rejeita chamadas. 

Mora na comunidade próxima com sua pequena família constituída da esposa e um casal de filhos alunos da escola publica. Algumas vezes seu filho (nas constantes greves do ensino publico) o acompanha para já aprender o oficio e não ficar pelas ruas da comunidade, aprendendo o que não presta. Quando isto acontece, as pessoas sempre acariciam o menino com alguma coisa como brinquedo, roupas usadas. Assim é a vida do prestativo, simples e educado senhor. Por isso mesmo alguns o chama de marido de aluguel, mas não gosta dessa brincadeira. 

Outro dia Policarpo sentiu tontura no trabalho, assustada a dona do imóvel, ofereceu para leva-lo ao posto medico, ele disse que não era nada. Mas ela não concordou e logo pegou a chave do carro e a sacola de ferramentas dele e seguiram para o posto medico. Lá ela se assustou com o numero de pessoas doentes aguardando atendimento. Foi à recepção, recebeu a senha 28 e viu que estava na numero 05. Sentiu um vazio e tristeza daquela situação. Constantemente ela olhava para o relógio e para o placar inerte de senhas. As pessoas reclamavam da morosidade e falta de conforto. O celular tocou e ela saiu ligeiramente da sala. Voltou preocupada e falou para Policarpo, que tinha de ir, pois o filho não teria a ultima aula na escolinha. Ele agradeceu, falou que estava bem para aguardar. Ela olhou pela ultima vez o inerte placar na senha 23. Balançou a cabeça em reprovação e pensou em pedir o marido para escrever notas denunciando a situação do posto medico do bairro.

As horas passam e a senha 27 às 12 horas é chamada, alivio para Policarpo, que sentia fome, pois tinha saído cedo sem alimentação costumeira. Após alguns minutos a porta se abriu. O coração de Policarpo dá pulos de alivio, seria o próximo. Pega a sacola e prepara para ser chamado. Neste instante uma voz no sistema de comunicação, avisa que o restante das senhas seria atendido após as 14 horas, pois o medico sairia para almoçar. Todos ficaram de bocas abertas com cara de indignação geral. O sangue subiu à cabeça de Policarpo, que num ímpeto de fúria, abriu a sacola e com um martelo, distribuiu martelada pela sala, quebrando paredes, mesas, bebedouro e placar monitor. O homem virou bicho diziam as pessoas correndo. Médicos e enfermeiras fugiram pelos fundos pedindo socorro aos seguranças, que entraram e imobilizaram Policarpo que gritava exigindo respeito dos médicos, que deveriam cumprir horário de chegada e atender melhor o povo pobre. Algemado ele foi jogado numa viatura e levado para a delegacia próxima.

Mais tarde, a senhora ligou para saber da consulta, mas o celular de Policarpo não atendia como fora de área ou desligado. Tentou mais vezes e sem sucesso, dirigiu-se ao posto. Quando chegou se assustou com a quebradeira, no que foi informada da reação súbita do senhor da senha 28. Sem acreditar, ela ratificou a calma e a educação do Policarpo. Então um segurança lhe informou, que ele estava na delegacia do bairro, para se acalmar. Ela sentiu uma pontada no peito. Triste dirigiu-se para o carro, sentou, respirou e ligou para o marido que é advogado e seguiu apressada para a delegacia.

Toninho.
17/08/2012.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Passer Sous Silence.


O relógio diz às horas que ele teima em repetir a observar, esperando algum lapso no tempo-espaço que pudesse engolir sua ansiedade, suprir essa necessidade de espera. Algo que pudesse aliviar todo esse sentimento angustiante que lhe causa todo esse desconforto, mal-estar representado pelos seus dedos tensos e entrelaçados. Estes mesmo dedos que teimam em lhe coçar a garganta, seca, enquanto espera.
A espera, por alguém. Alguém que ele nem tem certeza de que ira chegar. Mas ali está ele. Em todos os horários, olhando pro relógio da parede esverdeada daquele quarto, sozinho. Observa lentamente cada segundo custoso a percorrer aquele relógio, enquanto oscila entre rompantes de ódio, amor e desespero.
“Ele não vem, ele não se preocupa, ele nem lembra meu nome”. Pensamentos recorrentes, enquanto vê os ponteiros praticamente paralisados daquele mesmo relógio, naquela mesma parede, daquele mesmo quarto e ele, sozinho, encostando sua costa travada naquela parede gelada, e esfregando com força os olhos para esquecer essa espera sem sentido por alguém que nem ao certo poderia afirmar que algum dia irá chegar.
Porque se preocupar a tal ponto? De se fixar nestes ponteiros, por alguém. E por você mesmo, evaporar se numa sala e condensar se no mesmo lugar horas depois, ainda esperando. As respirações ofegantes sufocam-lhe a lucidez que se esvai com os tics sem tac do relógio mudo. Até quando ele vai se manter nessa espera? Ali, parado.
Olhando pra transfiguração desse tempo parado, essa situação desmarcada do compasso do próprio tempo. E mais um segundo se passa, sincronizando os horários. Pensando em mim? Que chegue então. E nunca chega, nunca. Mas a espera não cessa. A pessoa não deu nenhum sinal e ele, feito bobo, está destinado a ficar parado ali. Bem ali, naquele quarto verde, enquanto o relógio ainda funcionar e ele tiver algum motivo bobo para ficar.

domingo, 5 de agosto de 2012

"Qual é o limite entre a loucura e a lucidez?"




PROPOSTA


Crie um conto a partir da seguinte imagem:
"Em uma sala uma pessoa aguarda ser chamada".


Leve em conta, na criação do conto, a loucura e a lucidez.

Observe, como isso acontece no conto de Baudelaire, AQUI 

DATA DA POSTAGEM
21/08/2012


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Noites frias

Três da manhã... o detetive foi acordado pelo celular que insistia em tocar, era seu superior avisando de um novo caso.
Dor de cabeça! bebi demais outra vez, pensou o detetive... onde estive? como parei na minha cama? estou cheirando mal... mas vou trabalhar assim mesmo... o caso vem antes de meus problemas pessoais, o divórcio foi por isso!
Chega ao local do crime, o endereço é conhecido... uma velha amiga mora ali, foi quando deparou-se com ela semi-nua, suja de sangue...cena horrível, saiu da casa e vomitou.
Recomponha-se! disse-lhe o parceiro, e inciaram as entrevistas das possíveis testemunhas.
Ninguém havia visto nada, além do detetive qua jantara com a amiga!
Jantei com ela? não me lembro, será que eu fiz isso???? por favor não?? eu... Deus do céu, o que está havendo??? não sei nem como cheguei em casa, lembro de ter saído do trabalho e... nada mais!
Calma e vamos analisar melhor as provas, disse o velho parceiro.. confiava que o amigo não havia feito aquilo... imagine, nem pensar!
Apenas era suspeito por ter sido visto com a vítima. Mas estava suspenso do caso.
Provas analisadas e nada de novo, apenas constatavam a presença do detetive na casa da amiga.
Coisas estranhas etavam acontecendo... memórias falhas, sonhos nítidos de noites no frio e acordava de ressaca, sujo e sem saber o que havia acontecido antes.
Estou louco! ando saindo por aí sem saber... preciso de ajuda.
O velho parceiro sempre estava por perto, amigo de todas as horas, mantendo-o informado sobre o caso, mas nada de novo, tudo o colocava na casa da amiga, sangue, digitais...
Ele então resolveu investigar sozinho, sem nem mesmo o parceiro saber... filmava todo o seu dia para ter certeza de que não enlouquecera, fez o que lembrava ter feito.
Foi então que percebeu que o amigo também esteve na casa da vítima, eram amantes e não lhe contaram!
Cafageste! pensou, a esposa esperando em casa e ele por aí.
Grande traição... ele fora drogado pelo amigo todos os dias sem saber... esta na água, na bebida do bar, sempre que o amigo estava por perto ele passava mal e acordava sem memória.
Deixou-se levar pela raiva e matou o amigo, quando tornou a si, no desespero de saber o que fez, matou-se também, sem saber que ele era o real assassino da amiga, as drogas do amigo eram remédios calmantes, que infelizmente não faziam mais efeito, a loucura do detetive era real.
Foi à casa da amiga e violentou-a, o amigo apenas o tirou de lá  levou-o para casa, na esperança de aparecer um outro suspeito, não era amante da vítima, nem a conhecia.
Morreu sem saber quem era... melhor assim pensou o chefe e todos da divisão, a ignorãncia é uma benção... quem sabe o perdão divino venha mais rápido assim!
Esteja em paz na sua loucura, e que o amigo saiba  de lá onde esteja, entender o outro... era apenas louco, e nada mais!

Carina.

sábado, 28 de julho de 2012

Verde como o mar



Tirem as algemas. Quer água? Não. Tem certeza? Certo, vamos ver se eu entendi direito, Sr. Adalberto. O senhor disse que estava parado uns tempos na casa de sua amiga. Como é mesmo o nome dela? Conceição. Ah, é isso. Conceição. Tereza era sua esposa, correto? Respiração descompassada, mãos trêmulas, Adalberto, olhou firmemente para o delegado e disse: — Faz muito, muito tempo mesmo que não vejo a Tereza, estávamos morando em casa separada. Sr. Adalberto não estou perguntando nada. Claro, claro, só estou querendo colaborar. Vamos por parte, então, o senhor estava na casa da sua amiga militante política com um plano para sequestrar o presidente em sua visita ao Rio, correto? Sim.  Pelo amor de Deus, homem. Como posso acreditar numa loucura dessas. Por que não confessa que assassinou sua mulher, que ela o traía que perdeu a cabeça. Essas coisas acontecem, sabe. Por que o senhor correu quando avistou a polícia?  Não corri da polícia, é que quis alcançar Conceição. Ela estava fugindo do senhor. O que houve? Desentenderam-se? São amantes. Ela é bonitinha?  

Por favor, delegado, vamos com calma.  Calma? O quê? Já cansei dessa sua lenga-lenga. Guardas algemem o homem. Adalberto acordou com dores nas costas, noite mal dormida e que sonho terrível. Tereza ensanguentada, um cachorro lambia-lhe os lábios. Melhor confessar tudo. Não estou suportando. Não. Não posso confessar. É preciso manter a serenidade. Guarda, preciso de ajuda não consigo levantar-me.  O senhor pensa que todo mundo aqui é idiota, e?  Não, claro que não, só preciso ficar em pé.  É uma jogada sua. Mas é óbvio que não. Sou um cidadão, não um marginal.  Por que o sujeito aí pensa que é melhor que os outros, é?  O que você sabe da minha vida? Sabemos tudo doutorzinho de merda. O delegado teve uma conversinha com sua mãe. O quê?  É, e nem precisou intimação não, foi só um telefonema e ela veio rapidinho. Lindos olhos os dela. Verde como o mar. E como fala bonito.

O senhor é mesmo nervosinho desde criança, e pelo jeito chegado numa malvadeza, ver bicho morrer, cheirar sangue. Alguma tara doutor?  Vá à merda. Solta, solta meu pescoço, tenho meus direitos, senhor policial. Então porque o sujeito aí não desembucha, quem sabe eu entenda. Não tenho nada a falar com o senhor. Azar o seu, vai apodrecer nesta cela. Por um momento Adalberto pensou que seria melhor sim confessar. Chamar o delegado explicar direitinho o que realmente aconteceu, talvez ele compreendesse, era um homem. E Tereza deixava qualquer um louco. Falar de suas tardes de angústia, enquanto Tereza retocava o batom, suas pernas levemente bronzeadas, os cabelos molhados, a imagem do amante. Eles juntos. Não, no fundo sabia-se um fraco, um conservador, arraigado a velhos costumes, velhas ideias. O jeito era negar, negar, não fora ele e pronto. Limpou tudo antes de sair, a mesa, a garrafa de vinho, as taças, admirava sua organização, seu jeito excessivamente detalhista. Só não mexeu mesmo no corpo estendido no meio da sala, o punhal encravado no ventre, a poça de sangue que se formou, e o último olhar de Tereza. Por que será que aquele olhar, feito o da mãe, incomodava-lhe tanto. Ainda hoje, passado tanto tempo, sentado em frente ao mar, relembra cada detalhe. Tereza, a amiga Ceição, a mãe, os bichos, a infância, as noites na prisão. Solidão e tristeza, mas nada se compara ao azul daquele olhar ou seria verde como o mar.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Crime na escuridão.







Foto Google.









Uma noite chuvosa com raios e trovões na cidade de pedra. A presença de minerais faz com que os raios sejam intensos. Coisa de dar medo com a sequencia de trovoadas vibrando as janelas das casas. Rua deserta com enxurrada parecendo rio. Por um momento a cidade ficou numa escuridão, após um raio riscar o céu descendo á terra. Com o apagão os sons da natureza se fizeram perceptíveis. Ouvia-se com nitidez o som das águas sobre objetos no quintal. Em meio à fúria da natureza, ouviu-se um grito vindo do fim da rua. Naturalmente devia ser alguém a correr e procurando se esconder da chuva, que não cessava. 

Finda a chuva e retorno da energia elétrica, a vizinhança logo procurou empurrar as águas, que acumularam nos alpendres das casas, que eram curtos e com parapeitos, onde as crianças e mesmo adultos gostavam de sentar para conversar. Neste instante alguém gritou, sobre a presença de um morto próximo à garagem da ultima casa. Foi correria geral, mas não gente conhecida. O sangue e água se misturavam, pela calçada. Uma vizinha cobriu o corpo com um lençol. Podia se ver perfurações de balas de arma de fogo. Todos estranharam não ouvir o tiroteio, pois se notava pelo sangue, que era coisa bem recente.

Junto ao cadáver, uma tampa das baterias de controle remoto e duas baterias pequenas, além das capsulas de calibre 32 foi, que foram recolhidas pela policia técnica. Os moradores em depoimentos negaram ouvir sons de arma de fogo alegando a ocorrência de fortes trovões naquela noite e a falta de energia. 

Pelas perfurações excluía a hipótese de queima de arquivo com execução, pois as balas atingidas ao corpo, não foram direcionadas à cabeça. Não poderia ser assalto, pois a pericia encontrou relógio no pulso e carteira com algum dinheiro e um celular no bolso do defunto. Então diante das evidencias, direciona-se a investigação para roubo, perseguição e morte do ladrão. A polícia com as evidencias e material colhido, estava convicta, que o criminoso era da rua, vitima de assalto à residência durante o apagão, viu o assaltante e o perseguiu, recuperando algum aparelho, mas ficando para trás o controle remoto. 

Sigilosamente a policia conseguiu o mandato de busca nas casas próximas. Assim nas incursões em uma delas observou  que o aparelho de DVD estava com o controle remoto sem tampa e sem baterias. Diante da coincidência, fizeram uma busca no quintal daquela casa e encontrou no meio da bananeira, o revolver calibre 32 com três balas deflagradas.

Toninho.
*********************************************************
Um belo fim de semana a todos os amigos e leitores.
Exercicio: criar um conto policial (criminoso, acontecido e causas) 
*********************************************************
Grato sempe Sueli por estimular a criação.


terça-feira, 10 de julho de 2012

CONTO POLICIAL: “O gosto pelo enigma”





O gênero policial se compõe basicamente de um crime e um detetive. Diferente do Terror, o Policial aposta no mistério e na lógica para prender a atenção do leitor. Seus personagens principais são sempre (criminosos e policiais) dotados de uma inteligência ímpar e o duelo desses gênios costuma ser o ponto alto do gênero. Autores do gênero Policial: Arthur Conan Doyle, Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Luiz Lopes Coelho...

A morte de Maria Pia
Denúncia sem palavras

 Encontraram o corpo na estufa, cercado de begônias, avencas e samambaias. Estendido de costas, com uma tesoura de jardim enterrada no ventre. Agonizante, Maria Pia arrancara do peito uma cruz de ametista: ainda a segurava, apoiada no solo, com a haste maior para cima. Paralisara-se a outra mão no cabo da tesoura, na vã tentativa de arrancá-la. O corpo atravancava a única passagem da estufa, dividida por ela, cheias de vasos e xaxins, no chão e em prateleiras. Os pés voltados para a entrada. Não havia sinais de luta nem de violência carnal. Ao seu lado, cinzas de cigarro. Inelutável o raciocínio do velho Leite: se essa moça, depois do malogro do noivado, levou vida de freira, como está comprovado, o seu assassinato deve ser procurado na fase pregressa quando vivia normalmente com a família, na escola, entre os amigos.
Excluía a hipótese de ser um desconhecido ou tarado o autor do crime. Quando Maria Pia entrou na estufa, lá não havia ninguém, e a pessoa chegada depois era de suas relações, necessariamente. Explicava por quê. Primeiro, a disposição das plantas não permite um esconderijo. Segundo, se Maria Pia topasse com um desconhecido, não entraria na estufa. Terceiro: estava o corpo de costas, ocupando toda a largura da passagem, e os pés voltados para a porta. Maria Pia encontrava-se, portanto, de frente para a entrada da estufa, quando foi atacada; logo, já se achava na estufa, quando o assassino chegou. Quarto: correspondendo as cinzas encontradas a dois cigarros – e Maria Pia não fumava – depreende-se ter havido uma conversa mais ou menos longa entre a moça e o visitante. Por fim, Maria Pia conhecia o assassino, e o assassino deve ser procurado entre as pessoas de suas relações no tempo pré-monástico.
Luiz Lopes Coelho

Luiz Lopes Coelho (1911-1975) escritor- literatura policial.  O Homem Que Matava Quadros- A Ideia de matar  tia Belina- entre outros.


PROPOSTA


DATA DA POSTAGEM 26/07

Escreva uma narrativa coerente, criativa, com base nos seguintes dados:
O(s) criminoso(s); como o crime se deu; as causas.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Conquistas

Anne estava se arrumando para votar pela primeira vez!
Quanta felicidade...uma bela conquista, o sufrágio finalmente havia dado resultados após tantas lutas feministas, afinal, não eram mais apenas belos enfeites que os homens ostentavam por aí, agora votavam e tinham voz.
Olhava-se no espelho com ar de vitória, e pensava quantas mais conquistas iriam aalcançar, esperava que sua filha um dia iria à universidade, teria o futuro que escolhece, sem casamentos arranjados, ou de conveniência.
Estava feliz, sabia qual seria seu candidato, lera muito sobre ele e estava certa em quem votar, tinha opiniões políticas fortes, que agora sim, foi lhe dado o direito de expressá-las e não deixaria isso passar, sempre discutiria o que quer que fosse com seu marido, filha, amigos da família, enfim... aproveitaria a voz conquistada!
Como era bom votar, mostrar opinião... porém sentia-se triste por suas amigas que não chegaram a ver a luta ganha, foram mortas nas ruas simplesmente por quererem votar, serem ciadadãs ativas de sua cidade, de seu país, pometeu rezar por elas e agradecê-las todos os dis pela coragem, pela vitória, enfim, por serem mulheres!

Carina.