Do momento em que eu,
confortavelmente, me instalasse naquela poltrona as mudanças ao meu redor
seriam imperceptíveis. Uma longa jornada feita de silêncios, sustos e olhares.
No começo o medo me dominou. Sentia a respiração ofegante, o suor escorrendo
pela testa, mas em momento algum pensei em desistir. O jeito era fechar os
olhos, relaxar e assim, quem sabe, ao olhar novamente o medo tivesse se dissipado.
Não importava quantas vezes isso se daria.
Tomou-me tempo aquela
viagem, mas era uma questão de escolha. Não há outro jeito tive a impressão de
ouvir. E, ainda — Desejas de verdade? Não tinha porque responder. Apenas sorri. Eu sabia que seria assim. Um trajeto feito de sombras
de luz e de total escuridão.E tive a
nítida sensação que seria a vida toda.
O espelho que
firmemente segurava entre minhas mãos trazia um esboço do meu rosto, um quase
rosto. Através dos espelhos comecei a procurar-me. Eu por detrás de mim à tona
dos espelhos. E aos poucos, uma imagem ia se formando. Já não era mais um
quase, mas uma forma luminosa de um rosto que se sabe.









