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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Pelas ruas da cidade.















Na noite de Natal, as ruas enfeitadas com bolas douradas em meio à predominância das cores verde e vermelha. Vejo pessoas sorrindo com embrulho de presentes outras com tabuleiros de alguma guloseima. Era clima de Natal, era alegria espalhada pela cidade. Caminhando pelas ruas estreitas e de pedras, sinto o desnível das pedras, assusta-me desnível do poder de aquisição tão presente ali na minha caminhada para o ponto de taxi mais próximo.

A noite de Natal tem esta coisa de nos amolecer o coração, é a sensibilidade que se faz mais perceptível e torna-se comum encontrar pessoas tristes, acotoveladas em balcão de bares se entregando num gole a mais, como a querer se afastar das lembranças, das saudades de entes ou pessoa amada, que já não pode receber suas lembranças, seu abraço e beijo de Feliz Natal. 

Finda minha caminhada junto à praça onde um taxista solitário espera último cliente, antes de seguir para sua casa na noite do nascimento do menino Jesus. Abro a porta e adentro ao carro, então lhe desejo Feliz Natal, que ele retribui automaticamente. Pergunta sobre meu destino, imagino que pensou ser para a região de sua casa, para fechar com chave de ouro a noite mágica. Respondo ser o hospital.

 Sem mais palavras liga seu carro, e o radio em musicas de Natal e seguimos em direção ao hospital. No trajeto vou olhando pelo vidro embaçado, as luzes piscando lentamente e dentro do taxi o meu coração molemente ancorado nas ultimas esperanças de encontrar ainda vivo o amigo vitima do transito naquela noite.

Toninho
08/06/2012

Baseado na frase de Carlos Drummond de Andrade:  
Meu coração vai molemente dentro do táxi.