Um homem atravessa uma rua no centro da cidade quando sua atenção é atraída para a entrada de um bueiro. Na escuridão úmida do subterrâneo, um par de olhos o observava.
Fixou a visão, acertou o óculos, curvou o corpo procurando melhor ângulo e sentiu um frio lhe percorrer a espinha. Não era um simples olhar, ele tinha fome e desejo.
Ergueu as mãos em direção à boca, seguindo o impulso doentio de roer unhas, mas desviou o movimento em busca de uma testemunha.
Agarrou o braço de um executivo. O homem engravatado em pleno sol do meio-dia, carregando uma maleta e com celular de encontro à orelha, se assustou com o gesto.
Bastou um simples aceno de cabeça para perceber que sua atenção foi chamada para observar o bueiro. Sem compreender muito bem o que acontecia atendeu ao chamado. O executivo arregalou os olhos, abriu a boca em gesto de espanto e não acreditou no que viu.
Dentro do bueiro haviam olhos. Definitivamente eles estavam sendo observados. A dupla permanecia parada, surpresa diante da constatação, não eram olhos humanos. Essa era a única certeza.
Um policial se aproximou disposto a acabar com a reunião daquela dupla estranha. Para a autoridade eles estavam sob o efeito de algum alucinógeno, afinal, o que levaria duas pessoas a ficarem estáticas na rua observando um bueiro.
Aproximou-se, precavido, colocou a mão sob a arma e se preparou para atitudes extremas. Antes de impor qualquer ordem olhou para o bueiro.
Os braços ficaram flácidos assim que constatou, com temor, a razão do comportamento estranho. Olhos o observavam, e não eram olhares comuns, havia medo e desafio. As pernas tremiam e os movimentos pareciam mais difíceis.
Em poucos minuto o trânsito parou, uma multidão se formou em torno do bueiro. Nenhum veículo podia passar e as equipes de reportagens se posicionavam em busca do melhor ângulo daquele buraco.
O primeiro a observar os estranhos seres que transitavam na superfície desmaiou de temor. Logo outros se aproximaram e se assustaram com aquilo que estava tão próximo e nunca antes foi visto, havia vida na superfície.
Uma multidão se formou e grupos se revezavam para dividir a abertura que garantia o contato entre as duas raças.
Tão próximas e tão distantes, tão iguais e tão diferentes.
Uma multidão se formou. Crianças também queriam experimentar o prazer de observar aqueles seres esquisitos que escondiam o corpo e carregavam estranhos apetrechos.
Alguns, na inocência riam. Outros choravam em pânico, temiam que a superfície despencasse sobre suas cabeças.
Exploradores se posicionavam com marretas e brocas. Seguiam rumo à superfície.
Esse foi o dia em que fizemos contato.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O Dia que Fizemos Contato
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