sábado, 24 de março de 2012

Sonhar é impreciso


Quando Descartes assumiu sua busca por uma idéia clara e indubitável pôs-se a utilizar a dúvida enquanto método: se determinado pensamento gerasse dúvida, desconsiderá-lo-ia e passaria a examinar outra idéia, a fim de encontrar uma verdade. Passou sob análise as idéias originadas pelos sentidos, pela matemática e colocou em xeque – o que nos cabe por ora – o próprio estado de vigília.

Alguns sonhos têm a capacidade de despertar sensações tão próximas àquelas que sentimos quando estamos acordados que o filósofo percebeu que poderia duvidar do fato de estar, naquele momento, pensando sobre isso ou sonhando que pensava.

Evitando digressões, interessa-nos o resultado desse caminho percorrido por Descartes, que culminaria na célebre frase “penso, logo existo”. Enquanto duvidava dos dados acima citados, percebeu que não poderia recusar o fato de que estava duvidando. Ora, se estava duvidando, pensava. Se pensava, era necessário que existisse. Dessa forma, o filósofo coloca a razão como fundadora da existência do homem, seguindo uma trilha racionalista que teria inúmeras conseqüências na história.

A partir do momento em que Descartes assume essa premissa todas as formas não racionais são postas à margem. Enquanto a ciência e o pensamento lógico ganham vitalidade no pensamento desse filósofo, o sonho adquire uma negatividade em seu seio. Assim como a loucura, o sonho ficaria restrito à esfera de um pensamento inferior. A técnica, no sentido filosófico desta, será o princípio para a filosofia e para a conduta humana.

Na contramão dessa corrente racionalista, o Surrealismo irá pleitear o lugar do sonho na janela da arte. Breton e seus companheiros dirão que ele dá voz ao inconsciente, também renegado pelas posturas técnico-científicas em voga posteriores a Descartes. As pinturas dessa vanguarda artística tentarão, portanto, retomar essa faculdade humana antes esquecida.

Diante desse quadro, fica clara a impossibilidade de separar as dimensões da existência e do sonho. Uma vez que a dinâmica do sonho amplia a significação do vivido, o próprio ato de existir torna-se inseparável da condensação e deslocamento de imagens provenientes do sonho – termos estes utilizados por Freud. Com essa afirmação, queremos assumir a postura de que a própria existência está marcada pela fluidez das imagens, pela dilatação do tempo e pela narrativa própria do onírico.

O que acontece, na presente sociedade pragmática, é o esquecimento intencional dessa dimensão fantástica. Imerso num cotidiano de obrigações e deveres, o homem está impedido de ir além de seu tempo e da realidade imediata, por conta das imposições de ordem econômica e sociais: o sonho passa sempre pela vistas dele como uma distração. Sendo assim, a exclusão do sonho é a recusa de um espaço de liberdade. Restrito a um contexto de produtividade, o sonho nada acrescenta à sua existência.

O que se espera, diante desse texto, é a consideração de que esse processo é ideológico e castrador da vitalidade do humano. O espaço desse blog serve, portanto, para dar voz e volume ao sonho como forma de libertação do homem: a arte como conquista de uma super-realidade que não deixe nenhuma das particularidades do homem escorrer por entre seus dedos.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Ser feliz

Propuseram-me a falar sobre o poder das palavras...pois bem, pensei, mas que elas ferem, elevam, encantam e aterrorizam, eu já sei e ficaria clichê demais ficar nisso.
Presto-me então, com humildade de aspirante á escritora falar sobre uma só, mote maior da nossa vida: Felicidade.
Aristóteles dizia que ela está em ser virtuoso, que as virtudes são essenciais e que cada pessoa tem a sua e encontra sua felicidade, lindo não?
Bem, nem há como discordar disso, pois se formos realmente atentos às pequenas coisas do nosso dia, encontraremos-na em coisas de simplicidade extrema, como em um copo de água quando estamos com sede, em uma flor que o amado nos traz, no prazer de um banho relaxante depois de um dia difícil, enfim, poderemos ver que não é tão difícil ser feliz, apesar de tudo e todos que enfrentamos em nossos dias.
Não me refiro a contentar-se com pouco, deixar de lutar por uma vida melhor, mais confortável, mas sim aproveitar o momento, não deixar pequenas oportunidades de alegria passarem em branco.
Basta um olhar atento, e na simplicidade do dia a dia encontraremos mais razões e forças para alcançarmos nossos mais elevados sonhos, e, se por acaso não se realizarem, ao menos teremos as coisas simples, um olhar mais amplo da vida, do mundo, das pessoas e isso nos tornará virtuosos, por consequencia...felizes, segundo o mestre.
A correria, a rotina nos tira essa visão ampla, bela, olhemos mais fundo, mais longe e quem sabe teremos ao menos paz, outra grande motriz de nossa vida.
Ser feliz é... bem, não sei, mas continuo a procurar nas simplicidades de meu coração ansioso e curioso, mas que fica feliz com um bom dia sorridente de um estranho na rua enquanto vai a um curso profissionalizante.

Carina.

domingo, 11 de março de 2012

Lau Siqueira - Nenhum homem é uma ilha...




A primeira vez que vi Lau, foi em um quadradinho no Facebook. O que me chamou a atenção foi a expressão que ele usou para descrever os tesouros que ele havia ganho durante a vida. A segunda coisa foi a foto que ele escolheu para representa-lo naquele momento: Carlitos. E a terceira foi sua gentileza para com as pessoas que faziam parte do seu grupo de amigos. Como quem não quer nada fui introduzindo minha mente e meu coração em sua página em seu grupo de amigos que passaram a serem os meus amigos. Com o tempo cortei o cordão e segui o meu rumo.

Às vezes eu acho que se balançar a cabeça eu irei conseguir tirar as lembranças como quem diz: “Isso não aconteceu”. Não que incomode, mas é tão triste a vida de um poeta. Talvez tenha sido por isso que, quando te vi na casa das rosas há um ano eu não fui até você e disse: “Olá, eu sou... Prazer em conhecer”. Talvez tenha sido por isso que quando quase no final do ano cruzei com você; eu saindo do metrô paraíso e você seguindo em direção a ele... Foi tudo muito rápido, mas deu tempo de olhar para seu rosto que passou bem próximo ao meu e depois seguir o seu corpo que parava no cruzamento esperando o semáforo abrir. Poderia ter seguido pegado em seu braço e dito: “Lau?” Mas não, não fiz isso. Algo dentro de mim dizia: “Não incomode os poetas”.

Alguns dias atrás como sempre fazia uma vez por semana procurei sua página no facebook e não achei. Perguntando para alguém próximo a ti, ela disse que você saiu do facebook. Droga! - Disse a mim. Onde agora iria ouvir a sua voz? Foi só isso que disseram: Saiu. Como assim? Como alguém tão gentil que nunca fez mal a uma mosca sai assim sem mais nem menos? Será que se despediu E por que não de mim? Fico matutando...

Quero que saiba que também sai. Não porque saíste. Mas porque aquilo lá me cansou até a medula. Cansei de lutar a ser mais uma a ficar postando florzinhas, coração e músicas e achar que sou o centro do universo. Algo do tipo: “Olhem pra mim”. E outra: Como viver sendo impossível dar a sua verdadeira opinião sobre um fato? Ao contrário de você eu sempre dizia: “Vão ver se eu estou lá na esquina”. Os poetas são diferentes. Grande descoberta a minha. Digo isso porque nunca consegui ser um “doce” é claro que não sou uma amargues, mas tenho uma queda por Henry Miller, Bukowski, Dorothy Parker e alguns outros. Quem conhece entende.

A última postagem que fiz em sua página foi sobre a minha rápida passagem por João Pessoa. Quando o ônibus parou naquela simples e agradável rodoviária me perguntei: “Quantas vezes o poeta ficou sentado naquele banco esperando seu ônibus?”. E depois quando o ônibus esquentou os motores eu fiquei com vontade de gritar para o motorista: “Não vá ainda, preciso descer, andar por essas ruas, preciso localizar um rancho, um lar no meio dessa estrada. Você sabe informar onde fica a Rua Duque de Caxias? Deus! Como é bonito tudo isso!”.

A cidade foi passando... A estrada foi passando... O tempo foi passando... Transformando-se numa grande extensão de terras planas, dourada e cintilante, tão lindo e fantasmagórico como só se vê em um sonho.

Agora estou em casa. Arrumo as minhas coisas e cada arrumação que faço penso: “Como é bom estar em casa” Passei por maus momentos durante uma semana e quatro dias. Mas agora... Bem, agora acordei na madrugada e comecei a pensar em tudo isso e antes que desaparecesse de minha mente resolvi levantar e escrever. Pela minha janela vejo entre as nuvens uma lua um tanto achatada, mais alguns dias e a terra esconderá o seu brilho. Enquanto isso, sou levada para uma noite passada há um mês e bem igual à que esta fazendo agora. Amanhece. Escuto Phillip Glass. Não sei escrever sem fundo musical. Em cima da mesa tenho o livro Texto Sentido e em minhas mãos um envelope; registrado urgente para Marcia Lailin.

MLailin


quinta-feira, 8 de março de 2012

E,com uma boa dose de poesia.

A compreensão de um texto não é algo que se recebe de presente. Exige trabalho paciente de quem por ele se sente problematizado. Não se mede o estudo pelo número de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num determinado tempo. Estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las. Paulo Freire -Ação Cultural para a liberdade

Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam inteiramente, mais ainda para os outros que, por acaso, descobri terem emoções semelhantes às minha. Albert Einstein- Como vejo o mundo.

REAPRENDEMOS

Como você vê, os textos  são opinativos. Revelam a visão que o autor tem sobre um determinado assunto: no primeiro, a sua concepção sobre o ato de estudar, entendido como uma atividade criadora; no segundo, as reflexões do autor sobre sua condição humana, sua relação com os outros, seus princípios, enfim, como vê o mundo. Além da visão, das concepções, dos pontos de vista, revelam também como os autores desenvolveram seu raciocínio para fazer a exposição de suas ideias. Como organizam seus pensamentos. Os textos são, assim, dissertações. Cada dissertação é um questionamento do mundo. Em cada texto, reaprendemos a pensar – pensar pela própria cabeça, procurando uma elaboração própria de ideias, com liberdade e lucidez. Reaprendemos a analisar e comentar ideias, textos, dados e fatos, temas e teses. Reaprendemos a discutir e a argumentar, a defender o que pensamos: fundamentar, justificar, provar, explicar, persuadir. Reaprendemos, enfim, a organizar o pensamento lógico, a arquitetar nossos textos como sequência, coesão, coerência e clareza.  E, porque não com uma boa dose de poesia.


DATA DA POSTAGEM 26/03

PROPOSTA


Escolha um dos seguintes temas e crie seu texto dissertativo, seu ponto de vista sobre o assunto.

1-Nenhum homem é uma ilha.

2-Viver é melhor que sonhar?

3-O poder das palavras.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ser o que se é


Eu proponho, não aos outros e nem poderia, mas a mim, a instauração de um espaço de errâncias. Não esse espaço interno, velho conhecido, das minhas horas de matutagem, no qual meus possíveis erros, revistos pela memória, ganham ares de melancolia. Decididamente digo não a esse espaço feito de sustos e de paralisia, de desordem e mergulho no próprio caos.

Quero, antes de tudo, o espaço externo, produto das minhas idas e vindas, do meu muito caminhar, das minhas fugidias paragens junto ao bosque, entre campânulas, avencas, samambaias, onde meu corpo deitado mistura-se à relva úmida e, por uns instantes, tudo é pleno; dos meus finais de tarde em meio ao movimento caótico do trânsito e do frenesi que isso provoca; da rapidez com que os dias terminam e a pendência dos compromissos são arrastados noite adentro.  Infinito renovar-se, eterno retorno.

Da emoção dos encontros e dos desencontros; do não e do  sim ditos à queima roupa. Do olhar malicioso, do beijo roubado, do corpo tocado nas tardes de puro ócio e do riso maroto dessa ousadia. Uma aula cabulada, uma resposta enviesada, um viver e deixar-se viver, e tantos outros pequenos e grandes detalhes do dia-a-dia, sabedora que é preciso coragem  para ser o que se é. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sou único ou Sou os outros?

Perguntaram-me o que era ser corajoso?
E a partir desta incógnita comecei a matutar se ser corajoso é o O’Connell destruindo a imortalidade de uma múmia ou é ser desprovido de resentimento, quando o mundo o usa como sinônimo de chacota para algo impossível ou improvável – como no caso de Sherlock Homes.
Na realidade quando recebi esta incumbência verbal da professora fiquei ruborizado - não não, não de vergonha, mas por estar pensativo. Pois quando os sons da professora colidiram com os meus ouvidos:
- João o que é ser corajoso? - fiquei tentado a descobrir a essência da coragem e como ela se propaga pelo universo. E durante a minha busca, por esse Santo Graal embalsamado, encontrei em diversas literaturas que tentam explicar o que faz o homem tomar atitudes que muitas vezes não tomaria.
Enquanto refletia senti que os barulhos externos diminuíam, enquanto me aprofundava na aventura. Passeei pelas tentativas de andar de bicicleta sem as rodinhas auxiliares, a primeira janela quebrada, o primeiro drible digno de copa do mundo, o primeiro beijo roubado atrás da caçamba de entulho, dos monstros debaixo da minha cama e presos no armário.
Lembrei-me também do que Alvo Dumbledore falou no final do primeiro livro do Harry Potter, que precisa de destemido para enfrentar os inimigos, mas tem de ser corajoso para enfrentar os amigos, e do diário da princesa, que a chatonilda da minha irmãzinha me fez assistir pela milhonéssima vê,z quando o pai fala para filha que ser corajoso não é ser insensível aos seus fantasmas, mas sim ter forças para enfrenta-los.
O LÁPIS CAIU. Olhei para o chão e encontrei o lápis que alguns segundos atrás estava sendo rodado por mim sobre a carteira. Ao levanta-lo para junto do meu caderno encontrei a sala do mesmo modo que havia deixado.
As cadeiras estavam enfileiradas e voltadas para lousa onde se encontrava Dona Marli – a professora de português- que ainda tinha o gís apoiado na lousa perto da palavra Rei Artur e os cavalheiros da távola redonda. Porém diferente de quando embarquei para a minha viagem, a galera (incluindo a prof.) estavam agora olhavam para mim.
- João, você me ouviu?- respondi prontamente que sim com a cabeça para a dona Marli – Então responda o que é ser corajoso para você? Retrucou Dona Marli.
Neste momento fiquei tremendamente ruborizado, agora sim de vergonha – admito- e na minha cabeça veio uma vozinha perguntando:
- E agora João vai fazer papel de bobo ou de visionário, será que a galera vai achar que eu sou NERD ou lunático, falo o que realmente pensei ou digo que não sei ou invento qualquer desculpa para sair da sala. O que um herói que é a denominação para um corajoso faria?
Olhando para a professora, que refleti agora um olhar de preocupação sobre meu real estado de saúde. Ajeitei-me na cadeira, respirei fundo duas vezes e coçando a cabeça comecei:
- Então Dona...

Dona Coragem




Imagem Google








Viveu nos anos 60 na cidade de Itabira-MG Dona Geraldina, uma mulher destemida, que todos respeitavam ou tinham medo, embora sem registros de atos de violência. Sempre pronta para servir e não media esforços para fazer o bem. Pelas ruas sempre com um pedaço de pau para lhe dar apoio, devido a um acidente. Com aquele pau a escorar e aquele saco de aniagem sempre ás costas, era para as crianças uma figura dos contos de terror. 

Na cidade tinha uma rua com algumas casas de tábuas, que se dizia assombrada nas noites da quaresma. Numa destas casas, mas precisamente a da esquina morava Julião, famoso personagem de brigas noturnas em casas de prostituição e campo de futebol. Aquele sim era conhecido como galo de briga e merecia cuidados especiais, diziam até que ele tinha uma morte nas costas, de quando vivia lá pelas bandas do Vale do Jequitinhonha. 

Numa noite de sábado Geraldina voltava de suas andanças já tarde da noite, quando passando pela rua ouviu gritos de mulher vindo da casa de Julião. Não pensou duas vezes e se dirigiu para a porta e bateu fortemente com aquele pau. Julião a abriu bruscamente. Ela viu a mulher de Julião com sangue pelo rosto e num impulso, ela se atirou sobre o caboclo e os dois encenaram uma briga que ficou na historia da cidade, pois todos os vizinhos, que até então, estavam calados diante dos gritos da mulher, saíram para a rua e não acreditavam, no que viam daquela mulher, que batia no Julião sem medo de sua fama, tanto que ele caiu desacordado numa moita de espada de São Jorge. Então ela balançou e ajeitou sua longa saia seguiu rua a baixo, como se nada tivesse acontecido. 

Pela rua só se ouvia os cochichos enaltecendo sua coragem. O que se sabe, é que Julião nunca mais bateu em sua mulher, nem nos filhos e que estava sob os olhos do delegado da cidade.

Toninho.
24/02/2012.

Com este conto denuncio a odiosa onda de violência contra a mulher em numero crescente em Minas Gerais.

“Quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo”. Miguel de Cervantes

Sendo-se

Eu sou o que sou e é isso que sou! Lembro dessa frase ao final do desenho do Popye, e realmente, ser-se hoje em dia é um dos maiores atos de coragem que podemos ter, a sociedade nos cobra tanto...comportamento, roupas, peso, metas, enfim, é muito complicado ser-se, ter a alma livre, se amar do jeito que é e amar os outros do jeito que são, simplesmente amar.
Coragem é andar do jeito que se sente melhor, usando bom senso é claro, mas não ser vítima da moda e modismos, é ter uns quilos a mais e continuar sendo feliz, dizer a uma pessoa que a ama e não ter medo da resposta.
Ser corajoso é não desanimar ante os imprevistos da vida, é continuar a lutar, não desistir dos sonhos apesar de tudo, é não responder a uma ofensa para não piorar a situação.
Resumindo, coragem é acordar de manhã, passar bem o dia e dormir tranquilo, sem enlouquecer, é ser-se apesar de tudo e todos, e como dizia outra ícone de minha infãncia Didi Mocó: Quer, quer, se não quer tem quem quer!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ato(s) de Coragem

Coragem para viver

“Quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo”
Miguel de Cervantes

Quem não se encanta com um gesto de rebeldia, como aqueles que ousam não seguir a lógica imposta e lutar por aquilo que acreditam. Quem nunca foi ao circo, só para ver o trapezista ou a moça que espera os golpes do atirador de facas. Quem nunca brincou de super-herói, não desejou gestos de bravura, de honra, de loucura. A coragem é inspiradora, ela move a história, pois líderes são homens que acreditaram em causas e lutaram por elas, motivando multidões. Por isso, este é um dos poucos valores que não sai de moda.


"Se for preciso canta um hino..."
AQUI "


DATA DA POSTAGEM 25/02/2012


PROPOSTA

Escreva um conto curto ou um poema sobre
“Ato(s) de Coragem”.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Somos fios

 
Confesso que sentia medo, não porque a voz dele penetrasse no mais fundo de mim. Isso não. E também não pelos seus olhos negros atentos a qualquer movimento: ─ um pássaro em seu voo, uma aranha balançando no galho seco, o leve farfalhar de meus pés sobre as folhas. Nada lhe escapava. Com seu falar pausado ia tecendo histórias, causos da família recordados ali junto à fogueira em noites frias.

Entre um causo e outro, às vezes ele detinha longamente o olhar sobre mim e ria. Era um riso largo, bonito quase sem som, bem diferente do meu sempre barulhento, escandaloso. Pelo sorriso nem parecíamos pai e filho, mas tínhamos tanto em comum. Somos amantes das palavras dizia ele. E, conhecedor profundo do poder delas explicava-me com detalhes, comparações, associações, a distância que há entre o sentir e o dizer, mas que não devia ser assim não.

Que na vida somos como fios. Alguns usam muitos; outros usam pouco; há os que preferem os coloridos; os que preferem os escuros. E ainda há os que não escolhem. Mas de um jeito ou de outro todos estamos tecendo e destecendo coisas pelo caminho. Construindo bordados próprios ou simplesmente copiando o alheio. Esse era meu medo. Mas ele me apaziguava, sabia que com o tempo eu aprenderia.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O tear das Serra Gerais.










foto do Google




Nasci e vivi pelas terras mineiras nas primeiras décadas do século XX. Jovem ainda me encantou a operação do tear, com aqueles movimentos que pareciam mágicos com seu resultado final. Todos conheciam pela alcunha de “Tonho do Tear mágico”, mas sempre estava insatisfeito com o resultado, embora notasse o encanto nos olhos admirados. Com movimentos rápidos e sincronizados, lembrava àquelas aranhas caranguejeiras das bananeiras de todos os quintais.
Quando arguido sobre o segredo da perfeição, com sorriso nos lábios dizia:
_ O segredo na arte do tear está no amor ao tocar os fios e assim eles retribuíam dando vida ao tecido, o segredo é a suavidade dos toques das mãos num processo de caricias. Assim é na vida da gente o amor dever vir na frente. Mas sempre dizia que o mais lindo ainda estava por tecer, que fazia parte de um sonho e por ele morreria nesta maquina.
Certo dia na teimosia do sonho acionou a maquina como se fosse seu ultimo encontro, alta noite ainda se ouvia o barulho deste. Mas, pela manhã a percebeu-se silencio profundo. Alguém então começou a chamar e gritar, mas sem resposta, foi aos fundos da casa, onde um gato dormia na janela, as galinhas em desordem ciscavam nervosas pela espera do milho. A porta que dava para a cozinha estava fechada. Era a Joana preocupada e com medo que arrombou a porta e deparou com a cena, que ela jura ter sido a mais bonita vista pelos seus olhos, o tecelão enrolado no mais lindo tecido, que mais parecia tela de um pintor em meio aos restos de fios pelo chão, que lembrava os verdes campos da região. Joana movida pela emoção num abraço apertado quis logo saber se este era o sonho realizado. Então explicou para ela de sua jornada noite adentro no tear pela busca do tecido perfeito.
Refeito do acordar assustado, visivelmente cansado confessa que na madrugada, quando já sem animo, sentiu um toque de uma mão suave sobre as suas e um clarão no quarto e naquele instante o tear parecia vivo com movimentos contínuos, rápidos e suaves reproduzindo em tecido tudo que idealizara. Naquela manha na região uma romaria, para conhecer o tecido do sonho de Tonho, que feliz e sem muita admiração dizia:
-Foi obra dos Céus.
Toninho.
31/01/2012.

Minha idéia é sempre participar das propostas,mas as vezes sinto a dificuldade, mas sou teimoso em errar para acertar e aprender.Todas criticas serão sempre bem vindas.
Grato sempre querida Sueli pelo espaço.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Tecidos nobres

Aprendi na faculdade que coesão seria a "costura" do texto e que a própria palavra texto tem a ver com tecido, mas deixemos a etmologia de lado...
Por minha vez, procuro usar tecidos nobres, de grifes como Drummond, Lispector, Trevisan, entre tantas outras grifes que me dão tecidos para aquecer a alma, alguns mais rústicos, que me cutucam e me fazem acordar para uma nova realidade, outros já me embalam e acalmam, com cheirinho de lavado, tão bom de usar antes de durmir...
Grifes nobilíssimas, que utilizadas com cuidado não deformam ou desbotam, pelo contrário, quanto mais usamos mais belas e coloridas elas ficam.
Se eu pudesse tecer algo com a habilidades desses tecelões, teceria a alegria de saber ler, escreveria qua a melhor coisa que um ser humano pode fazer por outro é ensiná-lo a ler, a amar as letras e valorizar o poder de um livro, gostaria de um dia passar um pouco do amor e beleza deles a alguém que se propusesse a me escutar... sonho, quem sabe, mas também fui contaminada pela teia de Aracne, e espero envenenar também... veneno bom esse, que circula por nosso sangue e não tem cura, uma vez instalado!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ambição demiúrgica


Aracne
"Na mitologia grega, Aracne( jovem lídia) quis medir-se na arte da tecelagem com Atena, deusa da Razão superior e mestra da tecelagem. Todos os deuses compareceram, e o concurso começou. Atena bordou as doze divindades do Olimpo em sua majestade e, nos quatro cantos da obra, evocou os castigos nos quais incorrem os mortais que ousam desafiá-las. Não se importando com essa advertência, Aracne representou em seu bordado os amores dos deuses pelos mortais. Ultrajada, Atena bateu na jovem com sua naveta. Desesperada, Aracne quis enforcar-se, mas Atena a impediu e a metamorfoseou em aranha, a qual, desde então, não cessará de balançar-se na ponta de seu fio. Ela é assim símbolo da queda do ser, da ambição demiúrgica punida e, portanto, uma advertência: ninguém pode rivalizar com os deuses".Jean-Paul Ronecker.

A Moça Tecelã
Por Marina Colasanti


DATA DA POSTAGEM 31/01/2012

PROPOSTA
Elabore uma narrativa

Se o tear mágico fosse seu, o que você faria com ele? Que ou o que teceria ou desteceria?


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Recesso :o)

A leitora- Espanha (2005)
Carmen Varela


ABRAÇOS MEUS QUERIDOS

ATÉ

16/01/2012

sábado, 24 de dezembro de 2011

"Para isso ...lembrar e ser lembrados




Alegria e coragem sempre ,sempre, sempre.
Abraços a todos:  amigos, leitores, escritores
(aqui carinhosamente chamados de escrevinhadores)
gratíssima
sueliaduan


Escrevo para não enloquecer definitvamente,

e por acreditar que técnica e exercícios saõ fundamentais para o nosso aprimoramento na arte da escrita



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A lua me contou...

Noite quente...sentia a maciez da areia sob meus pés, ouvia o barulho do mar, mas estava sozinha.
Foi quando olhei para o brilho da lua e então começamos a conversar...trocamos confidências, rimos, choramos, enfim, aproveitamos a noite!
Ficamos alí na praia, sentido o cheiro salgado que o mar nos enviara para perfumar a conversa e criar um clima mais agradável, o que muito lhe agradecemos.
Todos os problemas foram gradativamente diminuindo, toda a sabedoria da minha amiga me levou a pensar que tudo o que realmente importava era simples, que eu precisava de tão pouco para ser feliz e tranquila, e essa leveza toda me fez voar!
Voei pela noite no mar, depois quis mergulhar em seus domínios sem pedir licença e senti seu frio, seu poder. Subi e voltei para a noite iluminada que minha amiga me proporcionava.
Estava tão leve e satisfeita de ter confidenciado meus mais íntimos segredos a alguém que podia confiar plenamente...
Acordei desse sonho, a experiência de sensações, toda a sinestesia me fez mais atenta aos meus sentidos, e hoje tudo tem uma nova textura, cheiro, cor...aprendi a ver o mundo através dos olhos da lua.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"Entre o meu e o seu olhar uma ponte de estrelas"


Então olhava para mim. Erguia um pouco o olhar com um jeito de quem procurava alguma coisa. Não sei bem definir o que era. Era só uma vaga sensação mesmo e que perdura até hoje. Nossos olhares encontravam-se e o silêncio reinava soberano. Não nos falávamos mais por dias, semanas, meses. Não que antes houvesse uma conversa acirrada. Nunca. Mas ríamos muito juntos, nos entendíamos perfeitamente. Por isso, então, esse olhar exerceu tanto poder sobre mim. Uma mistura de admiração alegria e infinito amor. Quando criança ficava horas olhando para esses mesmos olhos, e na minha inocência de menino pensava que era um pedacinho do mar.

Os olhos do meu pai são azuis da cor do mar, eu dizia feliz. O mar é verde retrucava Beatriz. Bravo eu gritava, na rua, na escola para todos os amigos:
- Azul, azul, azul e azul. Ria muito

Homem calado pai dizia tudo só com o olhar, janela da alma como disse um grande pintor uma vez. Eu só vim saber disso anos depois em minhas noites de leituras e insônia, mas sempre suspeitei. Gostava de olhar longe o campo, o milharal. Enxergar pai lá longe calmo, sereno. Uma imagem que guardo até hoje. Ele e a semente uma coisa só. Os dois plantados. Vivos para sempre. Seu olhar sobre mim, seu silêncio, meu crescimento. Brilho de estrelas

domingo, 4 de dezembro de 2011

"Um modo particular de ver o mundo"

M.C. Escher
(1898-1972)

Nossa falível percepção

Mesmo com um único olho você pode perceber profundidade. A experiência da vida em noso meio ambiente, com nosso deslocamento frequente de um lugar para outro, faz-nos perceber vivermos em três dimensões. Mas há muitas outras "pistas" para que decodifiquemos o mundo, como  a perspectiva. As coisas mais afastadas nos parecem menores, um princípio simples, mas que foi usado nas artes visuais a partir do século XIV.

Às vezes, porém, enganamo-nos em nossa percepçao, tentando, por exemplo, converter para três dimensões coisas que são planas, bidimensionais. Na gravura acima, a água parece subir pelo aqueduto. Apesar da colocação ilógica das colunas, a ilusão óptica nos dá uma irresistível impressão de profundidade, no caso, totalmente falsa. As sombras ajudam a criar a ilusão, transmitindo a idéia de solidez e profundidade reais.

A conclusão inevitável é a de que o mundo não é exatamente o que vemos, mas o que "lemos". Interpretamo -lo a partir dos nossos (pobres) cinco sentidos, que a todo momento podem nos pregar muitas peças. A todo momento podermos ter enganos ( alguns muito sérios) perceptivos. Julgamos ver uma coisa e vemos outra, pensamos ter ouvido alguém e não era nada, batemos no ombro de uma pessoa achando ser um amigo e quando ela se vira...

Nosso cérebro não tem condições de julgar com exatidão se sonhamos uma coisa, se ouvimos, se realmente vivemos aquilo. Enfim, somos animais extremamente falívies em matéria de percepção. Muitos animais, incluindo aí aves e insetos, são muito melhores que nós neste exercício, mas conseguimos ,pelo  uso da nossa inteligência e razão, compensar as nossas graves deficiências sensoriais.


 PROPOSTA

DATA DA POSTAGEM 19/12/2011

Construir uma descrição subjetiva, em no máximo 20 linhas, usando figuras que você conheça, tais como comparações, metáforas, aliterações, assonâncias, sinestesias.

Títulos "sugeridos"
Entre o meu e o seu olhar uma ponte de estrelas.
Cuidado, o luar está filmando!
O sol no olho da lua.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De Caminhos e Imagens, o Reencontro


No caminho passou de tudo fome, frio, medo e algo que nunca tinha experimentado em toda sua vida: — tristeza. Uma dorzinha aguda que começava nas costas, se é que podemos chamar de costas, e culminava forte no coração mudando seu ritmo natural e descompassando todo seu ser. O rabo pendia e, Piloto sentia todo seu peso que quase tocava o chão. Mas nem por um momento pensou em desistir de sua busca. Há tempos que partira da velha cidadezinha abandonando aquele que tinha sido seu verdadeiro companheiro, e, agora de volta era preciso percorrer cada beco, cada praça, cada cantinho e ,quem sabe, por conta do inexplicável , esse mistério do encontro, traria ali na sua frente seu dono.

Um cansaço tomou conta do seu corpo, relembrou todo o trajeto percorrido, e das crueldades sofridas – pedradas- chutes, empurrões, mas era um cão otimista, de bem com a vida=. E a última imagem que tinha na mente era a de um sujeito que o protegeu da chuva, abaixando-se delicadamente com o guarda- chuva aberto sobre ele. Essa imagem encheu-o de coragem e mais uma vez ele acreditou na possibilidade do reencontro. Foi com esse pensamento que Piloto avistou no finalzinho da rua poeirenta seu antigo dono, sabia que era ele, sentiu seu cheiro inesquecível, reconheceu a capa preta que servia de manto pra ele nas noites que ambos saiam para passear. E com o coração em disparada e o rabo numa demonstração de alegria, no seu muito balançar, correu ao seu encontro,pois tanto um quanto o outro nunca esqueceram da arte de viver .

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Laços quebrados

Piloto... meu dono me nomeou assim pois sempre achava o caminho de volta, por mais longe que fosse, seu cheiro me encontrava onde estivesse, desde filhote fomos muito amigos.
Um belo dia olhou-me e disse que tinha que ir embora, achara um trabalho na cidade grande e aproveiraria a aportunidade, mas que não me esqueceria e voltaria para me buscar assim que pudesse.
Fiquei esperando, olhava todos os dias as pessoas descendo do ônibus na rodoviária, e nada... anos se passaram e meu dono não voltava, fiquei preocupado por algum tempo, mas ainda confiava em sua promessa!
Até que o tempo foi me fazendo lutar por mim, afinal, precisava sobreviver, comia o que conhecidos me davam, olhavam-me com pena, eu não gostava daquilo, mas tinha que me alimentar, tomava banho no rio, dormia na rua, era horrível, mas não havia outro remédio.
Bela manhã, acordei debaixo do banco da praça e então o vi! Meu dono finalmente havia voltado para a cidade, estava diferente, mas o cheiro não mudara...
Finalmente quando nos encaramos, percebi que estava melhor sem ele, aprendi a viver por mim, para as minhas coisas, enfrentar meus medos e não precisava mais dele.
Comprimentamo-nos e despedimos-nos com apenas um olhar, era tudo que nos restava, os laços estavam quebrados e sobrara apenas uma lembrança de um tempo que não voltaria mais.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"ESPAÇO, LUGAR MÁGICO"


NARRATIVAS - O ESPAÇO
O espaço tem a função de revelar ao leitor, através das descrições (sensações + julgamentos), onde a ação (enredo) se passa. O narrador traduz em palavras adequadas aquilo que vê/sente/ouve/toca/cheira: cores, formas, cheiros, gostos, sons. Enquanto, na descrição, dá-se exatamente o contrário: o tempo é o grande privilegiado, e o espaço quase sempre um mero acessório decorativo.
Há vários tipos de espaço narrativo.
Cada um com suas peculiaridades.

Espaço decorativo: Na maior parte das narrativas o espaço serve de cenário, palco onde se desenrolam os acontecimentos...

Espaço funcional: Há narrativas, entretanto, em que o espaço determina a história, produz e modifica comportamentos...

Espaço hostil: Ambiente onde a personagem se expõe a riscos, aos azares...

Espaço afetivo: O espaço que desperta sensações “positivas” como calor, segurança, carinho...

Espaço psicológico: Nas narrativas psicológicas, em que predomina o fluxo mental, o tempo quase não é notado, a ação é retardada, o enredo se desenvolve em função dos pensamentos da personagem...
E as rosas faziam-lhe falta. Haviam deixado um lugar claro dentro dela. Tira-se de uma mesa limpa um objeto e pela marca mais limpa que ficou então se vê que ao redor havia poeira. As rosas haviam deixado um lugar sem poeira e sem sono dentro dela. No seu coração, aquela rosa que ao menos poderia ter tirado para si sem prejudicar ninguém no mundo, faltava. Como uma falta maior”
Clarice Lispector. A imitação da rosa (p. 54)
                                             

A MUDANÇA
Carlos Drummond de Andrade.
Contos plausíveis


O homem voltou à terra natal e achou tudo mudado. Até a igreja mudara de lugar. Os moradores pareciam ter trocado de nacionalidade, falavam língua incompreensível. O clima também era diferente. A custo, depois de percorrer avenidas estranhas, que se perdiam no horizonte, topou com um cachorro que também vagava, inquieto, em busca de alguma coisa. Era velhíssimo sem trato, que parou à sua frente. Os dois se reconheceram: o cão Piloto e seu dono. Ao deixar a cidade, o homem abandonara Piloto, dizendo que voltaria em breve, e nunca mais voltou. O animal, inconformado, procurava-o por toda a parte. E conservava uma identidade que talvez só os cães consigam manter, na terra mutante. Piloto farejou longamente o homem, sem abanar o rabo. O homem não se animou a acariciá-lo. Depois, o cão virou as costas e saiu sem destino. O homem pensou em chamá-lo, mas desistiu. Afinal, reconheceu que ele próprio tinha mudado, ou que talvez só ele mudara, e a cidade era a mesma, vista por olhos que tinham esquecido a arte de viver.

PROPOSTA

DATA DA POSTAGEM 21/11/2011

Mude o foco narrativo do conto “A mudança”, ou seja, relate, em vinte linhas no máximo, os fatos sob o ponto de vista da personagem Piloto. Coloque um título.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

HAIKAIS


Mar poluído.
Vazamento de óleo_
Ave imóvel.







Frutas maduras
Fartura no pomar
Sanhaço se farta.







Tiro criminal
Chão colorido de anil
Ararinha azul







Córrego limpo
Peixes em reprodução
Pescador feliz.








Fauna em fuga
Fogo na floresta
Animais morrem.








Calor intenso
Incêndio na mata_
Coala salva.




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À natureza que se encontra constantemente ameaçada.

Essa postagem é do Toninhobira- "repostei" por conta das outras postagens que tinham  "sumido"

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dos desencontros - Haicais


Nossa amizade
cessa aqui
nesse trecho da estrada


Restou uns poucos traços
riscado ao acaso
no papel amassado


Segui por outro caminho
entre coisas
que não me tocam

Por um longo caminho
ando com a solidão
meu ar natural

Necessito da solidão
para recuperar o equilíbrio
ultrajado e angustiado

Quero ser
tão somente como os outros:
insignificantes

Bater o pé
no degrau de pedra e gritar:
Dane-se!

MLailin

domingo, 23 de outubro de 2011

Dos olhares - Haicais


O vulcão, o fogo, as cinzas.
Teu amor fogo brando.
Poucas cinzas.

A folha, a árvore, o pássaro
No campo os corpos, o instante
Vôo infinito

A ave, o alimento, o ciscar.
Comer palavras é coisa dos homens.
Coisa do meditar.

A neve, a água, o frio
Teu corpo próximo
Ebulição.

Há campânulas roxas, brancas, amarelas.
No teu olhar há infinitas cores.
De doces amores.
                              
sueliaduan



Matsuo Basho –O Mestre do HaiKai
Detalhe do Retrato de Bashô por Watanabe Kaz


Matsuo Basho (1644-1694) foi o poeta mais famoso do período Edo no Japão, mestre criador do Haikai.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Poesia - Haikai


 Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.
Matsuo Basho



Quietude
O barulho do pássaro
Pisando em folhas secas
              Ryushi


Forma de poesia japonesa surgida no século XVI e ainda hoje em voga, composto de três versos, o primeiro de cinco, o segundo de sete e o terceiro de cinco sílabas, que geralmente tem como tema a natureza ou as estações do ano. Foi introduzido no Brasil em 1936 por Guilherme de Almeida.

Com fundamento na observação e contemplação enfatizando o sentimento natural e milenar de apreciação da natureza através da arte, sentimento este inerente a todo o ser humano. O mais tradicional poeta deste estilo é Matsuo Basho, monge Zen que aperfeiçoou o estilo e divulgou suas obras no final do século XVII.

Em época mais recente, Paulo Leminski explora novamente o hai-kai, adaptando-o, segundo a tendência do poema moderno, ou seja, sem rima. Como fazer hai-Kai de acordo com Leminski: Temos a fórmula do conteúdo, que é ao que os poetas contemporâneos obedecem ao invés da contagem de sílabas.


DATA DA POSTAGEM 24/10/2011

PROPOSTA POESIA HAIKAI

Crie cinco poemas

Escolha temas simples: natureza, estações, tempo, aves...
O primeiro verso expressa algo permanente, eterno.
O segundo introduz uma novidade, um fenômeno.
O terceiro e último, é a síntese

E observe as “dicas” de Leminski